Não falo com conhecimento de causa. Teria que fazer uma pesquisa sobre esse assunto e esse não é o objetivo, mas acho que toda geração tem uma grande armadilha para enfrentar, algo que é considerado aceito e seguro por todos em um momento e depois descobre-se que foi um grande engano.
Como disse não estudei isso, mas posso arriscar alguns casos: Nacionalismo no inicio do século passado, drogas e sexo livre no final desse mesmo século. Enfim, pode-se pensar e descobrir alguns próprios de cada geração. Com um pouco mais de propriedade, posso dizer que a grande armadilha da minha geração chama-se carreira.
Qualquer um que tenha se formado não tem preocupação maior. Que carreira vou seguir? Onde quero estar daqui cinco anos? Quais competências quero desenvolver? Se as angústias não fossem suficientes, essas dúvidas são todos os dias alimentadas por revistas especializadas, programas de televisão, pelas próprias empresas e, inclusive, pelos seus amigos mais animados com assunto.
Por outro lado já temos um vislumbre de como o mercado vai se comportar daqui para frente. Quem é da geração anterior já esta sofrendo um bocado. Em poucas palavras o problema surge do seguinte fato: o mercado é, e será cada vez mais, dominado por jovens. Posso aqui resgatar todo aquele papo de tecnologia, que o mundo esta mudando depressa e que cada geração já chegará proficiente com a última tecnologia enquanto os mais velhos se degladiam para entender conceitos as vezes simples. Isso é verdade e todos já sabem, mas é devido a esse fato que carreira se tornou uma palavra perigosa.
Há uma probabilidade grande que que você trabalhe toda a vida e não tenha que, daqui 10 anos, procurar emprego. Mas há também uma significativa possibilidade de você se esforçar bastante em um carreira, mas mesmo assim se ver desempregado. Minha dúvida se resume ao seguinte: daqui 10 anos um profissíonal com 20 anos de carreira será tão valorizado assim? Acredito que não, e vou apelar para um exemplo matemático.
Longa experiência te dá a capacidade de resolver problemas sem pensar. Isso fazia com que um profissional experiente agregasse, digamos, 5 vezes mais valor que um em inicio de carreira (que tinha que reinventar a roda a cada problema). Essa capacidade de resolver problemas permanece, mas agora acompanhado do empecilho tecnológico que o impede de render tanto. Na outra mão as coisas mudando rápido a experiência tende a passar a ser cada vez mais uma lanterna na popa (tem um livro sobre isso), que ilumina nada mais do que o que já passou. Chutando eu diria que hoje um profissíonal experiente rende 3 vezes mais que um em início de carreira. A diminuição é uma tendência? Não posso afirmar, mas é um risco grande. Seguir carreira, só carreira é um risco.
Dedicando massa cinzenta para gerenciar a vida e não para dar dinheiro a uma empresa, pensaria em aplicar algo como um gerenciamento de risco profissíonal. O conceito é simples: assim como no mercado de ações, não ponha todos os ovos em uma cesta só. Um exemplo: tenha uma carreira conservadora, junte dinheiro, quando você tiver muito dinheiro e aplique, pegue parte do dinheiro e monte um pequeno negócio, faça um concurso público e aprenda artesanato. Se qualquer uma dessas coisas falhar, você tem todas as outras como fonte de renda.
Não dá para ser bilionário, mas morrer de fome você não vai.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
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