sábado, 18 de julho de 2009

Quanto vale o dinheiro?

Quanto vale o dinheiro hoje em dia? Me fiz essa pergunta essa semana várias vezes e a conclusão que eu cheguei é que ele ainda vale muito, mas menos que antigamente. Não se trata de inflação. A pergunta na verdade está mal formulada. O que estava contestando é se ser rico hoje em dia é importante. A pergunta certa seria: Quanto vale ter dinheiro?

Ter dinheiro é bom. Se falasse o contrário estaria ofendendo todos aqueles que ralam muito para sobreviver. Mas aqueles que tiveram a importantíssima oportunidade de fazer curso superior e que hoje em dia se encontram na classe média, bem empregados, constituindo a chamada aristocracia do trabalho, tem motivos verdadeiros para fazer o que fazem? trabalhar muito e viver pouco.
Bom, acho que não. Curiosamente, mesmo as coisas antes inacessíveis, estão a mão de todos aqueles que tem uns trocados a mais. Vejam bem, não estou falando dos milionários, mas dos remediados.

Com não muito dinheiro se consegue comprar um carro, viajar para o exterior, frequentar bons bares, comprar boas roupas, comer em bons (e ainda razoáveis) restaurantes e praticar esportes ditos de elite (esgrima, vela e golfe). Viva a sociedade de consumo. Claro que é necessário responsabilidade. Não se pode gastar todo o tempo, mas o curioso é que os milionários também não. O remediado não pode porque não tem dinheiro infinito e o milinário não pode porque simplesmente não tem tempo, pois está ocupado demais ganhando mais dinheiro.

Pode-se falar por outro lado: "mas se eu quiser ter uma Ferrari eu não posso comprá-la". É verdade. Mas tirando uma coisinha ou outra, grande parte das coisas exclusivas da classe A não são mais que aparência. É fato, as pessoas querem se diferenciar, se mostrar melhores que outras, e para isso inventam marcas e hábitos distintivos. É engraçadissimo ver por exemplo um sujeito fingindo entender de vinho e, mesmo que entenda, isso é claramente uma busca por distinção, apenas isso. Outro exemplo é esse culto a alta gastronomia. Paga-se caro por uma comida pretensamente complexa. Enfim, como o que antes era difícil agora é fácil, quem tem muito dinheiro busca criar barreiras mais a frente. O problema é que já se ultrapassou a barreira do razoável. A maioria das coisas muito caras, não tem o menor sentido.

Minha conclusão. Ser classe média (ao menos hoje em dia) é parte do caminho da felicidade. A classe média tem dinheiro e tempo suficiente. Basta não cair na armadilha da distinção. Aceitar, simplesmente, ser mais um.