terça-feira, 9 de novembro de 2010

A angustia e a juventude

Esses dias encontrei um antigo CD de backup que continha alguns textos que escrevi quando era mais jovem (entre 18 e 25 anos). São bem poucos, mas que, por algum motivo da época, salvei. Estava agora pouco relendo esses textos e fiquei impressionado.

Primeiro: eu era muito deprimido. Os textos emanam angustia e pensamentos suicidas. Claro que nunca cheguei a cogitar seriamente isso, mas de certa forma rolava uma curiosidade do tipo: quem ia chorar, o que iriam comentar sobre o assunto e outras perguntas que uma pessoa que se sentia na época solitária gostaria de saber.

Mas o segundo ponto que me chamou a atenção é que o material não é de todo ruim. Na verdade tem coisas interessantes lá. Indicio pessoal de que realmente angustia e juventude são ingredientes bons para a criatividade.

Esse dialogo que eu escrevi, por exemplo, ficou interessante (eu devia ter lido algum diálogo de Platão na época), e o mais engraçado é que a minha idéia era fazer um site em que eu poderia escrever meus pensamentos. Eu poderia ter inventado o blog nessa época!!!

NÃO SERIAM OS ANJOS PASTORES?
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- Até onde a duvida pode permanecer? Existe limite para um incredulo?
- Sim existe. Esse limite é a sua própria imaginação. Existem certos assuntos que podem ser discutidos, mas nunca conclusivamente. Quando esses certos assuntos são discutidos, o destino é incerto e é essa a sua grande riqueza.
- Deus é um exemplo?
- Sim. Mas a fé é um melhor ainda?
- São assuntos semelhantes.
- De fato. Mas um não necessita da existência do outro. Você tem fé?
- Não acredito em Deus. Não tenho nenhum motivo para tal.
- Não? Não consegue ver nada no mundo que te leve a crêr? O mundo é assas complexo!
- Sem duvida. O mundo se apresenta diante de mim de forma magnifica. Tenho extremo prazer em viver e sentir o mundo. Fico confuso em refletir nas regras que regem seu funcionamento. Pelo menos nas que se sabem até agora. Mas, sinceramente, não percebo Deus.
- Você já fugiu então da primeira armadilha que é usar, ou criar, Deus para diminuir a sua confusão. Mas então me diga; teria algo que te faria perceber Deus?
- Consigo imaginar algo sim. Se um anjo aparecece diante de mim e afirmasse a Sua existência.
- Pessimo discrente então! Porque um anjo teria melhor embasamento para falar de Deus do que você?
- Ora. o primeiro não teria sido enviado pelo segundo?
- É quase um crente. Acreditaria nisso simplesmente por ele ter te falado. Pois te falo que para um descrente com imaginação, a palavra de um anjo celestial é tão fundamentada quanto a de um pastor evangelico ou um missionário cristão.
- Nesse caso eu discordo. Na ocorrência da primeira situação estaria provada a existência do mundo dos espiritos. O espiritos então teriam certamente um conhecimento mais abrangente que o nosso já que conhecem tanto o nosso mundo quanto o deles. Até ai estamos de acordo?
- Perfeitamente.
- Posso considerar então os anjos, ou espiritos, o que preferir, entidades com um pensamento mais avançado do que o nosso, já que possuem uma visão mais abrângente do que é a existência. Tendo isso um mente, teria grande propenção em tomar o que for dito por este como verdade.
- Pois o que te faz pensar que todo anjo acredita em Deus? Acredito que ao longo da sua vida você já tenha recebido em sua casa ou em qualquer outro lugar, no meio da rua mesmo, a visita de uma pessoa que prega a Palavra. Você não fica surpreso se isso acontece. Ficaria sim, surpreso, se a visita fosse de um ateu tentando provar a não existência Dele.
- Cena improvavel.
- Não vejo motivo então para cair de joelhos caso um anjo lhe aparecesse e dissesse que Deus existe. Poderia não passar de um espirito que tem fé. Obviamente só apareceriam espiritos dessa classe, pois, francamente, o espirito ateu não se daria esse trabalho. Não haveriam motivos para ele.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Medo

Sabe aquela história de que isso não vai acontecer comigo? Geralmente ela cabe quando o assunto é acidente de carro ou doenças sexualmente transmissíveis, mas ela serve para muitas outras coisas.

Algumas vezes você ouve relatos a respeito de pessoas que abriram mão de uma coisa, de uma forma contrária ao que seria o senso comum, em busca de algo que faça mais sentido. Nunca me imaginei nessa situação, porém, não mais que de repete, estou vivendo justamente isso e te falo, dá medo. E muito.

Um medo composto. Não é medo de uma coisa só, mas de várias. Insucesso é uma delas. Vejo as pessoas com quem me relaciono seguindo em frente e eu, pelo menos na concepção desse grupo (no qual eu mesmo me incluo), dando passos atrás. Numa separação (que, infelizmente, subconcientemente se faz) entre bem sucedidos e fracassados, hoje, me incluo no segundo grupo. o problema é que concientemente olho para onde estava indo antes e não quero de forma alguma ir para lá. Nesse caso portanto, há medo, mas também há a sensação de estar fazendo a coisa certa para a sua vida.

Uma segunda componente que percebi, é mais assustadora. Podem me perguntar: OK, você não quer ir para onde todos estão indo, mas para onde você quer ir? Resposta: para 1000 lugares. Libertei-me de algumas amarras e estou livre, mas e agora? Ter liberdade é uma porcaria, pois escolher uma coisa significa abrir mão de outra, e você nunca sabe aonde aquela outra coisa ia te levar. A responsabilidade é muito grande e a tendência é procurar um caminho não tão distante do anterior, pois vai que você quer voltar para o curso normal. Uma vez li uma frase de um filósofo oriental que se aplica aqui. São sei exatamente o texto da frase, mas a idéia é mais ou menos essa: Só há mudança quando ela é súbita e radical. Uma mudança gradual nada mais é do que permanência. Permanência da essência.

Pois é. Vivia uma vida que quando olhada em perspectiva não fazia sentido (para mim). Decidi mudar e dei importantes passos e eis que surge uma terceira componente. Depois de tudo isso, de toda essa energia gasta, não estaria comprometendo essa iniciativa promovendo uma mudança tímida? Será que estou perdendo a melhor oportunidade que já tive?